China, a nova Barcelona

Pablo Vaz

Daniel Mordzin, switch nosemanual em Guangzhou.

Por volta dos anos 90 o skate mundial descobriu seu paraíso na terra, a cidade de Barcelona. Incontáveis foram e são o número de skatistas que por lá já aportaram e continuam aportando para explorar a skatepark natural que a cidade é. Grandes marcas levaram seu melhores skatistas, picos foram descobertos e se tornaram famosos e objetos de desejos mundialmente. Barcelona se tornou a meca mundial do skate e, até hoje, é destino certo para milhares de skatistas, tanto pelos seus picos perfeitos, como pelo calor, lifestyle da cidade e pelas praias e festas.

Porém os horizontes do skate nunca param e a caçada eterna por novos e bons picos abre constantemente novas fronteiras. Nos últimos anos pudemos ver outros países do globo sendo explorados, e a grande descoberta foi a China. O país que era totalmente fechado para o restante do mundo, abriu suas portas e mostrou o que tinha de melhor para os skatistas, mármore. Mais frequentemente fomos nos deparando nas mídias especializadas com picos perfeitos e até então inéditos. A rota do skate que era quase restrita a Europa em geral, se tornou mais longa e o destino final, China.

Calçadas repletas de mármore, praças infinitas com diversas opções para os skatistas, baixo custo de estadia e população curiosa que não se importa que você ande em qualquer lugar. China virou a nova febre mundial, a nova Barcelona. Algumas cidades principais se tornaram os destinos mais frequentados pelos novos "turistas", Macau, Shenzhen, Guangzhou, Xangai e Beijing.

Pablo Vaz

Skatistas brasileiros com o Estdio Nacional de Pequim ao fundo, conhecido como Ninho de Pssaro.

Acompanhando esse movimento, uma primeira marca nacional resolveu levar seu time de skatistas para explorar os picos chineses. A Cisco Skate juntou seus profissionais Everton Tutu e Guilherme da Luz com o amador Daniel Mordzin e mandou os caras para o outro lado do globo com a simples missão de andar de skate e sentir o mármore chinês. Eu, Pablo Vaz, e o videomaker Leo Coutinho fomos os encarregados de registrar a passagem desses três caras pelas cidades de Shengzhen, Guangzhou e Beijing.

Assim como Barcelona você tropeça em qualquer esquina com um local perfeito para andar de skate, as cidades que vistiamos são verdadeiras skateparks a céu aberto. Shenzhen, a primeira cidade do roteiro era apenas uma vila de pescadores há cerca de 30 anos. De lá pra cá ela foi uma das cidades que mais cresceu nesse período em todo o mundo, se tornando uma cidade com construções modernas. Praças arborizadas, com pisos de mármore a perder de vista, escadas, bordas e uma infinidade de opções. Já Guangzhou é uma cidade maior, com mais cara de China, com prédios modernos, mas muitas construções antigas e típicas e uma população aparentemente mais humilde. Guangzhou não se torna tão receptiva quanto Shenzhen, mas têm tantos picos perfeitos quanto.

A última cidade, Beijing, é a capital do país e uma cidade com grande concentração de turistas. É a cidade mais cara de todas para visitar, com uma arquitetura que impressiona e, pra variar, mármore para todos os lados.

Permanecendo por três semanas no país pude perceber que a cena do skate local ainda é muito fraca, mas a grande quantidade de skatistas do restante do mundo que tem visitado o país tem feito com o skate local crescer constantemente, com novos adeptos e informações. Como disse um local que conhecemos em Shengzhen, o Daniel, é muito pico para poucos skatistas.

Pablo Vaz

Arquitetura diferenciada da China atrai cada vez mais skatistas.

Se, em Barcelona, como em tantos outras cidades em todo o mundo, o skate não tem uma imagem muito legal e praticá-lo com tranquilidade sem repreensão tem sido cada vez mais difícil, na China ocorre o inverso. Nas vezes em que fomos repreendidos, ou o segurança acabou assistindo a sessão, ou pediu para parar simplesmente pelo fato do medo da gente se machucar. O skate se tornou nosso grande cartão de visitas em todos os lugares por onde passávamos, seja hotel, restaurantes, na rua, aeroportos. A simpatia e curiosidade do povo local para com o skate é impressionante, era como se fossemos pessoas de outro planeta com um veículo nunca antes visto.

O que separa a China do restante do mundo ocidental do skate é a distância. Pois, por exemplo, do Brasil a Barcelona você levaria cerca de 12 horas de avião. Para chegar até Beijing fizemos uma viagem de 32 horas, partindo de São Paulo. Porém uma coisa é certa, essa distância será cada vez menor pela vontade de andar nos melhores picos do skate atual. 

China, a nova Barcelona