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Jared C./Getty Images

Travis Pastrana segue completamente focado em sua carreira na NASCAR

A primeira corrida de Travis Pastrana na temporada 2013 da NASCAR Nationwide aconteceu no dia 23 de fevereiro, no circuito de Daytona.

Pastrana completou as 120 voltas na 10ª colocação, seu melhor resultado desde que fez sua estreia na categoria em abril do ano passado.

Já na corrida seguinte, nesse fim de semana, o resultado não foi tão positivo. Apenas um 28º lugar.

Em 2013, Pastrana se programou para correr todas as 33 etapas da Nationwide, a segunda categoria mais importante do automobilismo norte-americano. Mas para contar a história de Travis Pastrana na NASCAR é preciso voltar quase dois anos no tempo.

A primeira chance

Dia 28 de julho de 2011, competição do MotoX Best Trick nos X Games em Los Angeles. O primeiro da épica maratona de 4 dias que Travis Pastrana havia programado.

A "Pastranathon", como foi chamada, consistia na disputa do MotoX Best Trick na quinta feira, o Freestyle na sexta, um voo para Indianapolis e a estreia na Nationwide no sábado, mais um voo de volta para Los Angeles e por fim a participação no Rallycross dos X Games no domingo. Programação que foi interrompida com a lesão logo na primeira prova.

Pastrana tentava acertar o Rodeo 720, manobra que ele perseguia desde 2009. A obsessão pela manobra fez com que ele tentasse a manobra duas vezes além das duas chances permitidas para cada piloto. A teimosia custou caro.

Pastrana não completou a manobra nenhuma vez, quebrou a perna com o impacto da moto em cima dela e viu a oportunidade de correr na NASCAR ficar distante.

Mesmo conseguindo correr no Rallycross no domingo em um carro modificado com acelerador controlado pelas mãos, o sonho da NASCAR teria que ser adiado. Pastrana havia perdido sua primeira chance.

Estreia na NASCAR

Após meses de recuperação, Travis Pastrana finalmente conseguiu fazer sua estreia na NASCAR em abril de 2012 pela RAB Racing, uma equipe média. As consequências da lesão nos X Games ainda não permitiam que Pastrana voltasse a pilotar motos, mas ele estava liberado para os carros.

Foram 8 corridas pela RAB Racing e um 13º lugar em Indianapolis, local onde deveria ter ocorrido a estreia um ano antes, como melhor resultado. Mas o grande momento veio em setembro, quando a Roush Fenway Racing, equipe de maior sucesso na Nationwide Series, propôs um contrato de uma corrida.

Pastrana marcou a melhor volta nos treinos livres, andou entre os dez primeiros durante a prova, terminou na 17ª posição e impressionou a equipe. O suficiente para conseguir um contrato para a temporada completa em 2013.

A segunda chance

Travis Pastrana sabe da dimensão de um contrato com uma das principais equipes do automobilismo norte-americano. Talvez por isso mesmo tenha evitado voltar ao mundo do Freestyle. Dessa vez uma nova lesão poderia custar muito mais caro.

"Essa é minha segunda oportunidade. Eu não vou ganhar uma terceira chance", disse em recente entrevista ao XGames.com. "Eu sou o azarão. Eu sou o cara que todos acham que vai falhar. Quero provar que sou capaz, não só para todo mundo, mas para mim também".

Pastrana afirmou que deve participar de todas as etapas do Global RallyCross que puder, mas novamente estará completamente focado na NASCAR. Em caso de conflitos de datas, é provável que opte pela Nationwide.

Seu objetivo é brigar por vitórias ainda nessa temporada e lutar pelo título nos próximos 5 anos. "Eu quero voltar a ser competitivo, voltar a ser campeão. E quero fazer isso na NASCAR".

Travis Pastrana se destaca facilmente entre os outros pilotos da NASCAR. Enquanto todos utilizam ternos tradicionais nas entrevistas e eventos, Pastrana dá as caras com terno xadrez roxo e cinza e boné.

Seu carro multicolorido também é fácil de distinguir no grid. O estilo é completamente diferente dos outros pilotos.

Não é só Pastrana que tem interesse na NASCAR. O contrário também ocorre.

Pastrana pode ajudar a categoria trazendo seus fãs dos tempos de Motocross e FMX, consideravelmente mais jovens do que os tradicionais espectadores da NASCAR.

Uma ampliação e um rejuvenescimento no público que seria muito bem vinda pelo automobilismo norte-americano.

Pastrana costuma ser questionado por seus fãs por sua escolha em seguir carreira no automobilismo, deixando as motos de lado. Mas isso não é uma novidade para ele. Em uma nota em seu site oficial, pouco antes da primeira corrida desse ano ele escreveu:

"Eu já estive nessa situação antes. Quando mudei meu foco das corridas de Motocross para o Freestyle eu recebi muitas críticas. Mas eu segui minha paixão e venci 11 medalhas de ouro nos X Games. Quando eu comecei a pilotar carros de rally há alguns anos, todos disseram que eu era um idiota. Após dois anos batendo e gastando muito do meu próprio dinheiro, eu segui minha paixão e venci quatro campeonatos nacionais de rally seguidos".

Apesar de nunca ter abandonado as motos oficialmente, Travis Pastrana dá todos os indícios que pretende seguir focado completamente em sua carreira nas quatro rodas até provar que pode ser vitorioso no mais alto nível. E ele já provou mais de uma vez que é capaz de fazer isso.